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Obras

Curto-circuito e fuga de corrente

Saiba por que acontecem e conheça as dicas para identificar esses dois problemas das redes elétricas

Reportagem: Flávia Siqueira
Edição 27 - Janeiro/2010

Os problemas mais comuns que podem surgir nas instalações elétricas residenciais são os curto-circuitos e fuga de corrente. Ambos acontecem principalmente quando existem falhas na isolação dos circuitos, ou seja, nos casos em que há condutores desencapados, ligações malfeitas e fadiga do material isolante.

O curto-circuito ocorre quando há contato entre condutores energizados pela rede elétrica. Nesse caso, o disjuntor do circuito que está em curto desarma e é fácil descobrir o ponto em que ocorreu o curto. Mas quando uma instalação tiver todas as cargas interligadas em um mesmo circuito, a situação é mais crítica. Em um primeiro momento, explica Osmar de Souza, instrutor de elétrica da escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, alguns sinais visuais podem dar algumas indicações de onde ocorreu o curto. "Lustres e ligações de torneiras elétricas, por exemplo, são alguns dos pontos em que curtos-circuitos ocorrem com maior facilidade. A presença de um chamuscado próximo a esses equipamentos é um sinal de que o problema pode ter ocorrido ali", explica Souza.

Para detectar o ponto da instalação em que ocorreu o curto-circuito, o eletricista deve usar uma lâmpada de teste ligada em paralelo ao disjuntor que está desarmando. Esse profissional saberá que o ponto com problemas foi encontrado quando o brilho da lâmpada diminuir ou cessar.

Fugas de corrente

A fuga de corrente é uma espécie de "vazamento" da corrente elétrica. Para facilitar a detecção desse problema, os circuitos devem ter um dispositivo chamado DR (Disjuntor Diferencial Residual). Esse elemento desarma no caso de fuga de corrente e, com isso, evita choques em pessoas e danos em equipamentos.

O DR é um fator de proteção e, por isso, sua instalação é obrigatória particularmente em circuitos de tomadas de áreas úmidas, como banheiros e cozinhas. Em redes sem DR, o que não é permitido, o principal sinal de que existe fuga de corrente é o choque elétrico ao tocar aparelhos com carcaças metálicas.

Para realizar verificação de instalações elétricas e identificação de curtos e fugas de corrente, o eletricista deve sempre usar óculos de proteção (contra possíveis desprendimentos de partículas, faíscas e pontas de fio) e calçado de proteção, com solado de borracha. Em caso de obras, também é importante usar capacete, que protege contra quedas de materiais e outros incidentes.

Outra recomendação importante é retirar adornos como alianças, anéis e brincos, especialmente se forem de metal. O instrutor Osmar de Souza explica que luvas de proteção devem ser usadas caso haja riscos de cortes - devido à presença de rebarbas na caixa de distribuição, por exemplo, e quando o eletricista vai medir o nível de tensão por meio de instrumentos. Em situações comuns, contudo, como o eletricista deve trabalhar com o circuito desenergizado, a luva pode diminuir a sensibilidade das mãos e dificultar o trabalho.

De olho no relógio

Fotos: Marcelo Scandaroli
O medidor de energia (relógio de luz) também identifica fugas de corrente. No caso de redes com DR, por exemplo, se o medidor continuar registrando consumo mesmo com todos os disjuntores desarmados, é porque a fuga está acontecendo nos condutores alimentadores.

Em circuitos sem DR, o medidor ajuda a verificar se o problema está em algum equipamento (televisores, micro-ondas etc.) ou na instalação elétrica. Veja como é feita essa verificação:

Fotos: Marcelo Scandaroli
Para verificar se o problema está em algum equipamento, deve-se retirar todos os aparelhos da tomada e apagar todas as lâmpadas da casa.

Se o medidor continuar registrando consumo com todos os equipamentos e lâmpadas desligados, é por que a fuga está acontecendo em algum ponto da instalação elétrica. Será preciso verificar disjuntores e condutores.

 

Confira as dicas para identificar curtos-circuitos

Ferramentas e equipamentos de proteção necessários para os serviços de instalações elétricas: chaves de fenda, chave Phillips, alicate, alicate de corte, estilete, alicate prensa-terminal, alicate amperímetro (caso seja necessário medir corrente elétrica). Equipamentos de proteção individual: calçado de proteção com solado de borracha, óculos de proteção e luvas (caso haja risco de se cortar ou seja necessário fazer leitura de tensão elétrica).

Fotos: Marcelo Scandaroli

O teste para encontrar o ponto que apresenta curto-circuito deve ser feito usando-se uma lâmpada de teste (incandescente, com 150 W e 220 V), colocada em paralelo com o disjuntor que está desarmando. Vá desconectando o condutor fase em todas as conexões reguladas pelo disjuntor.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Quando a lâmpada apagar ou ficar com um brilho reduzido, o eletricista terá encontrado o ponto em que ocorre o curto-circuito.

Fotos: Marcelo Scandaroli
 

 

Confira as dicas para identificar fugas

Dispositivos DR (Diferenciais Residuais). À esquerda, um DR bipolar. À direita, um DR tetrapolar - usado para redes bifásicas, sendo mais comum em residências.

Fotos: Marcelo Scandaroli

DR e disjuntores montados no quadro de distribuição. No alto, em branco, estão os condutores alimentadores, que conectam o quadro ao medidor de energia elétrica. Na parte de baixo estão todos os condutores Neutro da instalação (sempre em azul) e os fios-terra (sempre em verde-amarelo ou em verde).

Fotos: Marcelo Scandaroli

Quando há fuga de corrente na rede elétrica, o DR desarma. Para identificar o ponto da rede elétrica que apresenta fuga, no quadro de distribuição, deixe todos os disjuntores ativados e o DR desarmado. Vá desligando os disjuntores um a um, tentando armar o DR. Quando o DR armar, o eletricista terá encontrado o disjuntor que apresenta fuga - é o último disjuntor que foi desligado.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Identificado o disjuntor em que há fuga de corrente, vá desconectando o condutor-fase em todas as conexões reguladas pelo disjuntor afetado, uma a uma, sempre tentando armar o DR. Quando ele armar é sinal de que o ponto com problemas foi encontrado.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Caso o problema não esteja em um dos disjuntores, verifique os condutores Neutro. Desligue todos os disjuntores e, em seguida, vá desconectando cada um dos condutores, tentando armar o DR. Quando o DR armar, o condutor responsável pela fuga foi encontrado (o último que foi desconectado). Faça a troca do fio.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Fotos: Marcelo Scandaroli

 

 

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