Engenheiro orçamentista conta como fazer para manter os custos de uma obra em ordem | Equipe de Obra

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Carreira

Engenheiro orçamentista conta como fazer para manter os custos de uma obra em ordem

Edição 31 - Setembro/2010

P E R F I L

Fotos: Marcelo Scandaroli
Nome: José Rodrigo Borges Tavares
Idade: 33 anos
Local de nascimento: São Paulo (SP)
Função atual: Gerente de Orçamentos
Empresa: BKO Incorporadora e Construtora

O que faz um engenheiro orçamentista?
Essa é, hoje, uma função de inteligência nas construtoras. De um engenheiro orçamentista é cobrado que tenha visão crítica para propor melhor desempenho técnico e financeiro do produto a ser empreendido. Ele terá habilidades diversas, desde as mais triviais, como levantamentos quantitativos (cálculo das quantidades de materiais para uma obra), de preços, além da confecção de planilhas orçamentárias completas, com toda a documentação que deve ser repassada para a equipe de engenharia de obra.

Que documentos são esses?
São planilhas de orçamento com custos, cronograma e programação das etapas de execução da obra, além do cronograma financeiro, que indica o que será desembolsado mês a mês para cobrir todos os custos do trabalho. Basicamente, ser engenheiro orçamentista também é organizar, planejar e dizer quanto a obra vai custar por mês.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Por que é uma função de inteligência?
Não é só dar o preço da obra, ou quanto vai se gastar com ela. A inteligência está em buscar estratégias técnicas e financeiras: fazemos estudo de viabilidade econômica da obra, que é dizer se vale mesmo a pena investir e construir; apoiamos departamentos de incorporação e novos negócios, com estudos orçamentários, para a definição da compra de terrenos e desenvolvimento de tipos diferentes de projetos. Fazemos também o acompanhamento das obras, no próprio canteiro - necessário para possíveis adaptações de cronogramas e dos próprios orçamentos.

Esse tipo de engenheiro trabalha no canteiro, então?
Hoje não existe engenheiro orçamentista que fique sempre no canteiro. Normalmente ele trabalha no escritório da construtora. Só quando a obra é muito grande, haverá necessidade de centralizá-lo na obra, mas, na maioria dos casos, vamos até o canteiro uma vez por mês, para acompanhar o andamento das coisas - ver se faltaram ou sobraram materiais, por que isso aconteceu, se o cronograma de etapas de execução está sendo alcançado e determinar motivos de atrasos.

Quando faltam materiais, ou há atrasos no andamento da obra, o que vocês fazem?
Primeiro identificamos, caracterizamos a origem do problema apontado. Depois, temos que pensar em estratégias, ou planos de ação, para que possamos recuperar o andamento da obra dentro do que foi inicialmente planejado. Temos que saber quais equipes e profissionais vamos mobilizar, ou que novas soluções técnicas - tipos de materiais, sistemas construtivos - podere­mos aplicar para reverter os atrasos.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Então tudo pode mudar no decorrer da obra?
Sim. O departamento de engenharia de orçamentos tem se tornado muito importante, principalmente nas construtoras com grande volume de obras. Com o mercado aquecido, tudo acontece muito rápido, e muitas vezes fechamos um orçamento com informações preliminares que precisarão ainda ser revisadas à medida que a execução avança. Quando fazemos essas revisões, é normal ter de acrescentar itens que geram novos custos e, logo, novas estratégias. É um trabalho intenso e dinâmico. E é preciso chegar ao maior nível possível de detalhamento de informações, para balizar um bom desenvolvimento de obra. 

A impressão que temos é que a quantidade de trabalho para os engenheiros orçamentistas aumentou muito ultimamente. Isso é uma dificuldade?
O mais difícil é a velocidade em que tudo acontece. Quanto mais rápido trabalhamos, maior nossa vulnerabilidade a erros. Isso acontece porque todo trabalho técnico - como o de pedreiros, encanadores, e outros profissionais da construção - tem um prazo real, um tempo próprio de maturação, para que esteja bem-feito e afaste os riscos de erro. Ao não se respeitar esse tempo real de maturação, o retrabalho - para a correção de eventuais erros - poderá ser mais frequente.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Mas é muito frequente ter que fazer várias vezes a mesma coisa?
Não, isso não é constante. Há novos empreendimentos que são lançados com um cronograma já bem resolvido, em prazos viáveis. Eu diria, no entanto, que com a situação atual do mercado e o enorme volume de obras, 60% delas acabam tendo prazos técnicos muito apertados. Isso aumenta o risco de erro ou requer, no mínimo, atenção dobrada das equipes de trabalho - tanto de engenheiros, como da área operacional.

Vocês também fazem as negociações com o cliente antes  da obra? Vale a pena negociar na hora da compra de materiais,  por exemplo?
Na verdade, quem negocia materiais com os fornecedores é o setor de suprimentos. Nós apenas usamos a base de dados criada por eles para fazer a nossa precificação (custos). Já a negociação com o incorporador, ou com o clien­te, é feita pela Diretoria Comercial, e nós ficamos por trás dela, dando suporte técnico.

Qual deve ser a formação acadêmica desse profissional?
O desejável é que tenha formação em engenharia e experiência em obras. Deve-se ter visão sistêmica do canteiro e entender um pouco de todos os subsistemas - estrutura, alvenaria, elétrica, hidráulica, revestimentos. Esse engenheiro precisa ter interesse técnico profundo por civil, sem ser especialista em uma única área. Tem também que assumir responsabilidades, ter comprometimento e raciocínio analítico porque, afinal, ele terá de ser um bom estrategista.