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Planejamento

Segurança patrimonial do canteiro

Quantidade de pessoas e equipamentos varia conforme a fase da obra devido à presença de materiais com maior ou menor valor de revenda

Reportagem: Juliana Martins
Edição 51 - Setembro/2012

Sergio Colotto

Cada etapa da obra lida com produtos e equipamentos com valores financeiros diferentes. Por isso, é importante planejar os gastos com segurança. Podemos dividir as obras em duas etapas: a primeira para execução de fundação, estrutura, alvenarias e revestimentos; a segunda para acabamentos finais e mobília das áreas comuns. Se na primeira etapa a vigilância eletrônica pode ser suficiente, na última há necessidade de vigilância presencial com contratação de vigias para o período noturno.

Um grande erro é deixar para pensar sobre o assunto apenas quando ocorrem roubos. O tapume é a primeira barreira. Em alguns casos é até mesmo recomendável trocar a madeira por barreiras de metal, que apesar de custarem mais são mais seguras e podem ser reutilizadas em outras obras.

Equipe de segurança
Agnaldo Holanda, diretor de obra da Brookfield Incorporações, lembra que em alguns casos é necessário contratar equipe de segurança, como vigias, desde o estande de vendas que normalmente possui objetos decorativos que podem ser roubados. Nestas situações, o espaço costuma ser vigiado por um segurança que passa a madrugada em vigília.

Segundo o gerente de engenharia Rogerio Bark, da FG Empreendimentos, quando começam as obras para adequação do terreno, o monitoramento eletrônico, por alarmes ou câmeras, é a solução mais adequada pois os equipamentos de maior valor agregado são específicos para o canteiro e não possuem muito valor no caso de revenda.

Se a obra for pequena, é possível ter vigias que rondem o terreno apenas de noite e aos fins de semana. Quanto maior a obra, maior a preocupação. Se a região concentra grande número de ocorrências policiais, talvez seja o caso de criar postos de segurança e portaria.

Criar uma entrada específica para o canteiro também dificulta roubos, pois a figura do porteiro - contratado ou terceirizado e com controle total da passagem - ajuda a inibir ações.

Algumas iniciativas também podem ser úteis, como o procedimento de revistar a mochila na saída de todos os funcionários, ressalta Holanda. Da mesma forma, Holanda recomenda vistoriar o porta-malas de todos os veículos que entram e saem do canteiro. É preciso analisar ainda a quantidade de entradas da obra. Afinal, cada portaria deve ter um responsável, o que aumenta os gastos com segurança.

Gasto este que, segundo as fontes consultadas, é menor quando se usa apenas equipamentos, mas mais eficiente quando há uma empresa de segurança que disponibilize pessoal para a vigilância.

Vizinhança vulnerável
Se na vizinhança há muitas outras construções e poucas pessoas circulando no período da noite, é melhor investir em mais segurança, acredita o diretor de obra da Brookfield. Ele conta que algumas obras têm cães de guarda que ficam soltos durante a noite.

Com a chegada de materiais de acabamento, fios, cabos, metais sanitários, fechaduras e dobradiças, tomadas e interruptores, ferramentas e equipamentos, como marteletes e bombas hidráulicas, o risco aumenta, pois é possível conseguir dinheiro revendendo esses produtos para empresas de reciclagem, por exemplo. Nessas fases, a ocorrência mais comum é a invasão do canteiro de obras fora do horário de trabalho. "A procura é por equipamentos portáteis elétricos e insumos com cobre", explica Bark.

Ao longo do tempo, é recomendável que o almoxarifado receba câmeras de segurança e seja controlado por um responsável.

Se o canteiro demanda que a entrega seja feita de madrugada - como ocorre em São Paulo devido à lei que restringe a circulação de caminhões em alguns horários -, é necessário haver mais de uma pessoa nesse período para que um dos funcionários permaneça na portaria e o outro acompanhe a entrega.

Terceirizado x contratado
As fontes desta reportagem recomendam criar estruturas de segurança que possam ser usadas em outras obras. A Brookfield optou por comprar os equipamentos de segurança por considerá-los baratos e devido à possibilidade de usá-los em outras obras. No entanto, a FG, por causa do valor da manutenção considera mais eficiente alugar.

Quando o serviço é terceirizado, é possível prever no contrato que pequenos furtos, como de ferramentas, gerem ônus para a empresa de segurança, que deve ressarcir o material. Assim, é grande a preocupação de contar com funcionários de confiança.

"Você lida com pessoas e isso nos deixa vulnerável a informações, dicas e até vista grossa por parte do funcionário", observa Holanda. Por isso, ele recomenda a troca periódica de funcionários que atuem na segurança. Afinal, não é incomum ouvir histórias como a do diretor da Brookfield, empresa que teve uma obra assaltada no momento em que um carregamento de fechaduras estava sendo entregue. Sendo assim, com a terceirização, esse funcionário não tem que ser mandado embora e não há vinculo empregatício. Ele é apenas realocado em outra tarefa.

 

Apoio técnico: Agnaldo Holanda, diretor de obra da Brookfield Incorporações, e Rogerio Bark, gerente de engenharia da FG Empreendimentos.

 

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