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Planejamento

Blocos de concreto

Preços abaixo da média podem ser indício de problemas. Veja o que conferir para não errar ao comprar e receber esse material

Reportagem: Juliana Martins
Edição 53 - Novembro/2012

As famílias de blocos de concreto seguem dimensões padronizadas. Há famílias com comprimento de 29 cm ou 39 cm. "A família 39 tem cinco opções de largura, sendo mais empregados os blocos com 14 cm de largura, seguidos pelos blocos com largura de 9 cm e 19 cm", explica Idário Fernandes, consultor da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Considerando a espessura da argamassa de assentamento - 1 cm -, cada bloco de 39 x 14 x 19 cm passa a ter, na verdade, 40 x 14 x 20 cm.

Para o consultor, a família com 29 cm de comprimento é mais prática devido ao fato de o bloco ser mais leve e exigir uma quantidade menor de complementos. Ele se refere a blocos com comprimentos especiais.

A resistência à compressão do material pode variar. A classe A dos blocos estruturais, recomendada para obras acima ou abaixo do solo, deve ter resistência mínima de compressão de 6,0 MPa. As classes B e C, indicadas para obras acima do solo, devem ter resistência mínima de 4,0 MPa e 3,0 MPa, respectivamente. As dimensões, ainda de acordo com as normas, podem variar dentro de uma tolerância de 2 mm na largura e 3 mm na altura e comprimento, para mais ou para menos. Já os blocos de vedação, classe D, devem possuir resistência entre 2,0 MPa e 3,0 MPa.

Fotos: Marcelo Scandaroli
No momento em que os blocos chegarem ao canteiro, coloque dez um ao lado do outro e faça medições em todas as direções para verificar se, na média, obedecem às dimensões especificadas

Padronização
Os blocos de concreto para alvenaria estrutural permitem embutir as instalações elétricas e hidráulicas sem necessidade de quebras. No entanto, é preciso sempre optar por peças que atendam às exigências da NBR 15961 - Alvenaria Estrutural - Blocos de Concreto, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sob risco de comprometer o resultado final da obra.

Para fazer blocos de qualidade, os fabricantes precisam controlar a matéria- prima, ter procedimentos de dosagem, moldagem e cura, dispor de equipamentos adequados e calibrados e de uma equipe treinada. O consumidor, por sua vez, deve estar atento no momento da compra e do recebimento dos blocos em canteiro.

Fotos: Marcelo Scandaroli
A fabricação de blocos que obedecem às normas técnicas é feita em equipamentos devidamente calibrados e usando materiais dosados com precisão. Todos os procedimentos são controlados, inclusive a cura
Fotos: Marcelo Scandaroli
A resistência dos blocos de concreto é garantida por ensaio de compressão, que indica a carga que o material aguenta. A qualidade e o padrão de resistência dependem do traço do concreto

"O maior erro cometido por quem adquire ou utiliza os blocos de concreto é optar pelo bloco informal, feito fora das exigências legais, ou seja, aqueles com dimensões fora dos padrões", explica Fernandes.

Assim, para saber o que está comprando, Fernandes recomenda exigir do fornecedor um laudo de um laboratório credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e observar a presença do Selo de Qualidade, desenvolvido pela ABCP.

De acordo com o consultor, a produção de blocos normalizados é feita em equipamentos com grande capacidade de mistura e prensagem, proporcionando misturas mais homogêneas, com menor índice de vazios.

A dica dele é para, no momento da compra, avaliar eventuais variações de peso entre blocos do mesmo lote. Essa diferença deve ser mínima, de modo a não ocasionar variações na resistência. Peças leves demais podem apresentar porosidade exagerada e, por consequência, mais absorção de água, alerta ele. Por isso, a recomendação é derramar um pouco de água sobre o bloco. Se o líquido for absorvido com facilidade, pode ser indício de baixa resistência. Outro teste é mergulhar a peça na água: se surgirem muitas bolhas, é preciso investigar se há problemas.

O bloco deve ter ângulos retos exatos. Meça as diagonais: elas precisam ter a mesma medida. Observe ainda a cor, que deve ser homogênea, indicando controle ideal no processo de fabricação e cura. Arestas irregulares indicam problemas no processo de compactação do concreto. Blocos com cantos quebrados indicam baixa resistência. Além disso, quanto mais perfeito e homogêneo o bloco, maior a economia com revestimentos de argamassa.

Recebimento e armazenamento
Fernandes alerta para que não se comprem blocos com o fundo fechado (com exceção das canaletas). Ele diz que blocos de concreto normalizados sempre são vazados e a argamassa é aplicada apenas sobre as paredes dos blocos.

Outra dica dele é para bater levemente um bloco no outro, pois, assegura, o som de peças bem compactadas é mais estridente, enquanto os mais porosos produzem sons mais suaves.

No ato da compra, é preciso informar o tipo de bloco solicitado (de vedação ou estrutural), bem como a quantidade exata e a programação de entrega. Os blocos devem ser entregues paletizados e, para tanto, basta que o lugar seja plano e suporte a entrada do caminhão para descarga. Não é permitido empilhar mais que dois paletes. Depois do recebimento do material, as peças devem ser armazenadas em local adequado, separadas por tipo, dimensão e resistência. Isso facilita o manuseio e controle da qualidade, evitando quebras. Para isolar do contato direto com a terra, é indicado fazer uma camada de pedrisco ou brita. Para proteger da chuva, deve-se cobrir a pilha com lona.

A má qualidade dos blocos pode influenciar ainda no custo final da obra, devido ao aumento no consumo de argamassa de assentamento e revestimento, e ao aumento na quantidade de perdas. "A impressão inicial é de economia porque o produto é mais barato na aquisição, mas o resultado final é uma obra com má qualidade e custo maior", alerta Fernandes. Faça uma pesquisa de mercado e desconfie de preços abaixo da média regional, indica o consultor.

Apoio técnico: Idário Fernandes, consultor da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

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