Publicidade

Planejamento

Qualidade

Fichas de verificação de serviços

Documentos para checar serviços realizados ajudam a controlar a produção e a evitar retrabalhos

Reportagem: Juliana Nakamura
Edição 55 - Janeiro/2013
 

Fotos: Marcelo Scandaroli
Antes do início de qualquer tarefa, é importante conferir quais são as verificações recomendadas pela ficha de serviços. Afinal, a qualidade do trabalho a ser executado depende diretamente de como o ambiente estava preparado

 

Fichas de Verificação de Serviços (FVSs) são registros que ajudam a garantir o atendimento a padrões de qualidade, conforme resume Fernanda Camilla Bronizeski Viana, engenheira da qualidade da construtora Tibério. Os documentos avaliam as condições de início do serviço, os parâmetros de controle durante a execução e a entrega. “Ajudam a checar, por exemplo, dimensões, ângulos, aspectos visuais, defeitos, controle tecnológico”, acrescenta Josaphat Baía, diretor técnico do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE). Para ele, as fichas – em papel ou digitais – são imprescindíveis para sistemas de gestão da qualidade por permitirem controlar detalhes da produção.

Dentre os modelos eletrônicos, há versões simples, baseadas em planilhas, e sistemas sofisticados, que ajudam na inspeção, criam gráficos, parametrizam fichas e emitem relatórios. Podem exigir maior investimento inicial para aquisição de dispositivos e treinamento. Contudo, Baía diz que são mais fáceis de usar, mais rápidas de preencher e permitem monitoramento em tempo real.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Como as fichas exigem algumas verificações subjetivas, o profissional que confere a execução do serviço precisa ter experiência e ter sido devidamente treinado para o preenchimento

O que devem conter?
As FVSs devem ser claras, fáceis de completar e com itens suficientes para garantir o controle da execução e do produto, com respostas objetivas, contemplando desde a etapa anterior até a verificação final para entrega. Uma ficha de alvenaria, por exemplo, contém os seguintes itens: disponibilidade das ferramentas, condições de início (estrutura limpa e desimpedida), atendimento ao projeto (localização das instalações elétricas e hidráulicas e dos vãos), dimensão dos vãos (janelas, portas, shafts), esquadro, planicidade e aspecto visual.

Itens de atendimento ao projeto, como dimensão dos vãos, esquadro e planicidade, têm critérios de aceitação objetivos, que podem ser medidos. Porém, há também aspectos visuais – subjetivos –, que tratam de fissuras, manchas, quebras etc. Por isso, o preenchimento depende de experiência e treinamento. Baía lembra que uma FVS errada ou incompleta perde a função.

É importante que as fichas sejam integradas a uma política de qualidade ampla. “Na Matec, por exemplo, as não conformidades são tratadas com a área de suprimentos e ajudam na avaliação do fornecedor e do serviço”, informa Maria Cecília Fernandes, gerente da qualidade e segurança no trabalho da construtora.

Mudanças reais
Maria Cecília relata como melhorias em processos foram implementadas graças à utilização das FVSs. Uma delas no processo de instalação de forro modular. “Identificamos não conformidades constantes em relação ao aspecto visual, como irregularidades nas superfícies causadas pelos perfis. Como a aplicação seguia o procedimento estabelecido, descobrimos que o problema estava na bitola do perfil”, conta.

Outra melhoria se deu na fabricação de peças pré-moldadas. A construtora elaborou fichas para acompanhar a produção das peças no pátio do fornecedor. “Garantimos que as peças sejam fabricadas conforme o projeto, incluindo conferência de armação, fôrma, espaçadores, dimensões etc.”, diz. A ficha nunca dispensa outros controles, como ensaio de qualidade do aço fornecido e controle tecnológico do concreto.

Atividades críticas
O Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) estabelece que 25 serviços sejam controlados, especialmente os relacionados à geometria do edifício e à segurança estrutural. Os custos de retrabalho ou correção desses serviços são altos, pois podem requerer demolições e retrabalhos, além de comprometer o planejamento. “Para esses serviços, algumas empresas estabeleceram controles duplos ou triplos, ou seja, a FVS é usada por três pessoas diferentes antes de liberar o serviço ou etapa”, explica Baía.

GANHOS CONCRETOS
Segundo Baía, o uso adequado da FVS dá acesso a um conjunto de informações que permite ter uma visão gerencial do que acontece no canteiro.
Elas permitem identificar e avaliar:
» O principal item de retrabalho em cada serviço
» O trabalho de cada equipe de produção ou empreiteiro
» A qualidade dos materiais
» O cumprimento dos procedimentos
» O planejamento e a existência de serviços conflitantes realizados simultaneamente
» A introdução de novas tecnologias e seu impacto na qualidade
» As consequências na etapa de assistência técnica, ou seja, cruzar os dados das fichas com problemas ocorridos na operação

 

Clique para ampliar a imagem

 

Destaques da Loja Pini
Aplicativos

Publicidade