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Planejamento

Sobras de concreto

Mudanças no projeto transformaram a escada em pré-moldada e, assim, permitiram o uso de concreto fresco, que sobraria da concretagem das lajes

Reportagem: Juliana Martins
Edição 56 - Fevereiro/2013
Fábio Pozzer
Além do concreto, construtora também aproveita sobras das armaduras das lajes para moldar as chapas de revestimento dos subsolos

Para diminuir a geração de resíduos de concreto em obra, a Via Engenharia passou a processá- los em central de aproveitamento de sobras, no próprio canteiro, em Belo Horizonte.

Por se tratar de um prédio com mais de 120 m de altura, com concretagens diárias, sobra muito material dentro das tubulações quando a concreteira termina de bombear o concreto até a laje.

Para não perder esse concreto, ainda trabalhável - e também com vistas à obtenção da certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) -, a equipe técnica da obra passou a usá-lo em pré-moldados de concreto.

Assim, no fim do dia, o ciclo da bomba é invertido e o concreto retorna. Os funcionários ficam prontos para aplicá- lo em fôrmas de degraus de escadas. "As escadas seriam moldadas in loco, mas mudamos o projeto para aproveitar essas sobras", diz o superintendente da obra, o engenheiro Francisco Soares Filho.

Divulgação: Via Engenharia
As escadas, que originalmente seriam moldadas in loco, ganharam degraus pré-moldados, confeccionados com o concreto bombeado e não usado, que seria descartado na forma de resíduos
Fábio Pozzer
No total, serão aproveitados 25 m³ de concreto para fabricar 563 chapas de concreto de 2,35 m x 0,50 m, resultando em 285 m de paredes

Revestimento reaproveitado
Nem todo o concreto é aproveitado em degraus. Parte dele é usada para confecção de placas que servem de revestimento para as paredes diafragma dos cinco subsolos. De concreto armado, essas placas pré-moldadas têm 2,35 m x 0,50 m x 0,04 m e são moldadas em fôrmas metálicas.

Soares explica que essa parede cria um shaft entre ela e a parede diafragma, que é muito irregular. "O espaço entre o revestimento e a contenção permite a circulação do ar e a fixação da tubulação", conta.

Até mesmo a armadura dessas placas aproveita as sobras da armação da laje. "Não é muito volume, mas a redução de custo é enorme. Há ganhos por não utilizar tijolos, que geram muito desperdício", assegura Soares, que afirma haver também ganhos de produtividade. "A montagem é muito rápida, fazemos um andar inteiro em três dias com esses painéis", salienta. Outro ganho é com a redução da mão de obra ociosa, que é alocada para essa tarefa quando não há outros serviços em andamento.

Francisco Filho
Em vez de virar resíduo, concreto que sobra nas tubulações da bomba que o leva a 120 m de altura é aproveitado para confecção de elementos pré-moldados

Ele estima que, no total, serão feitos aproximadamente 285 m de parede, o que corresponde a 563 placas pré-moldadas. A expectativa é de executar em torno de 80% das placas com material proveniente de sobras de obra. "Ou seja, 25 m³ de concreto", explica o engenheiro. Essa é a quantidade de resíduos que deixaram de ser gerados apenas com esse processo.

Contraponto
Fabio Pozzer, coordenador de obras sustentáveis do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), e contratado para auxiliar a empresa na obtenção do selo Leed, explica que é comum as construtoras relutarem contra a implantação de soluções como essa devido às mudanças na rotina do canteiro e aos cuidados extras que exigem. "As construtoras precisam enxergar que vale a pena economicamente, mesmo demandando mais planejamento", assegura.

Apoio técnico: Francisco Soares Filho, da Via Engenharia, e Fabio Pozzer, do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

 

 

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