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Trajetória profissional

Com demanda em alta por profissionais qualificados, saiba quais são os caminhos para buscar conhecimento técnico e as competências pessoais e comportamentais para, assim, almejar o crescimento no canteiro de obras

Reportagem: Juliana Martins
Edição 58 - Abril/2013
Marcelo Scandaroli
Em tempos de alta produtividade e industrialização dos canteiros de obra, o conhecimento formal e teórico, obtido em escolas, ganhou a mesma importância que a experiência prática

Se há alguma crise no setor da construção, ela não afetou a demanda por operários, que continua em alta. Com bons profissionais em escassez, sobram oportunidades para quem se qualifica. A revista Equipe de Obra traz dicas com os principais caminhos que podem ser trilhados. Confira!

Primeiros passos
Por não exigir experiência, a porta mais tradicional para a construção é o cargo de servente. Por isso, há muitos operários analfabetos ou semianalfabetos. No entanto, segundo Paulo Garcia, gerente de recursos humanos da construtora WTorre, a falta de alfabetização é empecilho à evolução profissional. Por isso, muitas construtoras oferecem cursos de alfabetização no canteiro. No caso da WTorre, a oportunidade é aproveitada, em geral, por homens entre 30 e 50 anos. São 40 pessoas formadas por ano e as aulas são dadas em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).

Garcia explica que o profissional sabe que, quanto mais conhecimento, melhores os cargos e, consequentemente, maior a remuneração. A evolução da construção fez surgir cursos para tarefas que, tradicionalmente, eram aprendidas na prática. Os cursos de formação técnica procuram, segundo Garcia, balancear teoria e prática, com vistas a formar um profissional mais completo, capaz, por exemplo, de ler projetos. “É um caminho para obras de maior qualidade e produtividade”, ressalta Garcia.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) oferece cursos em duas frentes: inserção no mercado de trabalho e crescimento profissional. Os primeiros duram 340 horas e dão o primeiro contato com a profissão.

CONJUNTO DE HABILIDADES

De nada adianta contar com um plano de ascensão profissional se o operário não tiver ou buscar desenvolvimento e, depois, demonstrar as seguintes competências e habilidades comportamentais:

Proatividade: antecipar-se aos acontecimentos, tomando atitudes ou realizando atividades que gerem resultados mais rápidos ou que evitem problemas futuros
Iniciativa: executar atividades com o discernimento necessário, sem aguardar que outras pessoas digam o que tem que ser feito
Trabalho em equipe: desejar e saber desenvolver trabalhos em conjunto com outras pessoas
Assertividade: capacidade de expressar pensamentos, sentimentos e opiniões de forma clara, direta, honesta, respeitosa e apropriada a cada situação
Automotivação: encontrar a razão e força necessárias para realizar qualquer atividade, sem ter que ser influenciado ou dirigido por outra pessoa
Inteligência emocional: persistir diante de frustrações ou dificuldades e controlar impulsos ou atitudes agressivas

AUTOAVALIAÇÃO
Jojje / Shutterstock


A evolução de qualquer profissional depende de análise crítica e honesta dos pontos fortes e fracos. A diretora executiva da Rhio’s Recursos Humanos, Denise Retamal, propõe que os operários reflitam sobre algumas questões:

1) O que sei fazer do ponto de vista técnico?
2) Quais são as minhas deficiências técnicas?
3) Qual é a minha idade e quais são as minhas limitações do ponto de vista físico?
5) O que mais gosto de fazer e o que efetivamente não gosto ou não posso fazer?
6) Quais especialidades são as mais requeridas na construção civil?

Após responder às perguntas, o operário deve seguir os seguintes passos, recomenda Denise:

Definir quais competências ou habilidades técnicas necessitam ser desenvolvidas ou aprimoradas no curto, médio e longo prazos
Colocar no papel como, onde, de que forma e quando trabalhar tais competências e habilidades
Ter consciência de que sua qualificação tem que estar de acordo com sua idade e capacidade física. Caso contrário, a especialidade deve ser revista ou até mesmo novas especialidades deverão ser desenvolvidas
Analisar como sua especialidade pode atender às carências de mão de obra

Afinidades valorizadas
Em geral, depois de atuar como servente, o passo a seguir é tornar-se pedreiro. Nessa etapa, o profissional pode buscar qualificação como assentador, na parte de fôrmas, alvenaria, laje ou acabamento, como pedreiro revestidor, exemplifica João Batista da Silva, coordenador de atividade pedagógica da escola Orlando Laviero Ferraiuolo, do Senai.

Entre os cursos oferecidos pelo Senai, os mais procurados são os de eletricista e pedreiro. Segundo Silva, são profissões demandadas e com bom retorno financeiro. “Com vagas limitadas, nos dias de inscrição tem gente que dorme na fila”, conta.

Nesse ponto, a decisão do profissional leva em conta suas afinidades. Ou seja, se prefere trabalhar com acabamento ou em tarefas de início de obra. Mais tarde, ele pode optar por cursos de aperfeiçoamento, com carga horária livre, como o de assentador de porcelanato, o que o torna um profissional mais versátil.

Fotos: Marcelo Scandaroli
Sem saber ler e escrever, operários da construção limitam seu crescimento profissional, por mais experiência prática e talento que tenham. Sem esse conhecimento são incapazes, por exemplo, de ler projetos
Fotos: Marcelo Scandaroli Fotos: Marcelo Scandaroli
Apenas com a qualificação adequada é possível concorrer a vagas de eletricista, por exemplo, profissão que tem sido muito procurada devido ao retorno financeiro que proporciona A escolha da qualificação deve ser determinada não apenas pela possibilidade de ganhos financeiros, mas estar intimamente relacionada às habilidades e às afinidades do profissional

Especialização
“Após cinco anos do início da carreira na construção, o profissional pode fazer curso de mestre ou encarregado de obras”, ilustra Silva. No entanto, a exigência para o cargo de mestre de obras exige também experiência prática, pois, além de liderar operários de diversas especialidades, como pedreiros, carpinteiros e eletricistas, é preciso orientar e demonstrar como cada serviço é feito. “O engenheiro teria muito mais dificuldade para fazer isso porque não trabalhou em obra”, acredita o coordenador.