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Planejamento

Pavimento econômico

Resíduos inertes gerados na própria obra, como concreto e tijolos, foram reaproveitados para execução da pavimentação de um loteamento em Goiânia

Reportagem: Maryana Giribola
Edição 60 - Junho/2013
Foto: Divulgação / RNV Resíduos

A fim de reaproveitar os entulhos gerados nas obras do Loteamento Baviera, localizado no município de Abadia de Goiás (GO), a PAM Construtora e Incorporadora passou a utilizar os próprios resíduos da obra, reciclados, na execução do pavimento do loteamento. Restos de concreto, de argamassa, de tijolos e de cerâmica e o próprio solo argiloso escavado no local formam o que a RNV Resíduos, responsável pelo Programa Entulho Reciclado e pela gestão dos resíduos da obra, chama de pavimento ecológico.

Para viabilizar a nova solução, bastou que o canteiro fosse adaptado para segregar os resíduos gerados na obra. "Fazemos desde o planejamento da gestão, com treinamento de mão de obra, até o controle de tudo o que é gerado até a destinação final", conta Nelson Siqueira, diretor da RNV Resíduos.

Com a gestão implantada, bastou que os resíduos inertes fossem recolhidos e destinados à própria RNV, responsável por triturá-los e vendê-los de volta para a construtora. "A empresa paga por essa destinação assim como paga para destinar o material para um aterro. A economia que ela obtém, nesse caso, é com a substituição da brita ou da brita graduada pelo material inerte reciclado e triturado", explica Siqueira.

Foto: Divulgação / RNV Resíduos
Entre 58,2% e 69,5% dos agregados utilizados na pista de rolamento do empreendimento são reciclados, o que resulta em economia que beira os 70%

Economia
Segundo estimativas da empresa, a economia gerada na execução da base e da sub-base do pavimento com a utilização do resíduo reciclado varia entre 58,2% e 69,5%, dependendo do material comparado. Na região de Goiânia, a brita utilizada em pavimentação sai por volta de R$ 46/m³, enquanto que a brita graduada sai por R$ 45/m³. Quando misturadas ao solo local para atender às solicitações de tráfego semelhantes às do loteamento, os materiais sairiam por R$ 23/m³ e por R$ 31,50/m³, respectivamente.

Já o material reciclado e triturado pela empresa sai por R$ 12/m³ e, quando misturado com o solo, por R$ 9,60/m³. "Isso sem contar a economia indireta que a construtora consegue ao destinar corretamente todos os resíduos gerados em obra. Não calculamos, mas o número de empresas multadas por juntar tudo em uma só caçamba e destinar a um local não regulamentado é grande", estima o diretor.

Foto: Divulgação / RNV Resíduos Foto: Divulgação / RNV Resíduos
Foto: Divulgação / RNV Resíduos
Da mesma forma que pagaria para destinar a um aterro, construtora paga empresa para recolher e processar resíduos inertes que são recomprados na forma de agregados para execução de base e sub-base de pavimento

Composição
Para definir qual seria a composição ideal à solicitação de tráfego das pistas do loteamento, a empresa gestora da obra realizou testes em laboratório. A solução encontrada foi uma pista com 7 m de largura composta por base e sub-base de 15 cm cada com 80% de agregados reciclados e 20% de solo argiloso, além do revestimento em Tratamento Superficial Duplo (TSD).

A mistura dos agregados reciclados e triturados com o solo argiloso colhido no local é feita na própria obra, antes do espalhamento nas pistas. Depois de espalhado, o material é compactado e recebe a camada de asfalto. "A execução é a mesma de uma pista convencional, ou seja, a mesma mão de obra que executa um pavimento convencional também executa o pavimento ecológico", conta Siqueira.

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