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Planejamento

Demolição sustentável

Com parte dos resíduos gerados em demolição usados no nivelamento do terreno e parte comercializada, construtora reduziu custos com destinação e compra de agregado novo

Reportagem: Maryana Giribola
Edição 61 - Julho/2013

Desmontar estruturas e beneficiar concreto e resíduos classe A reduziram o custo de demolir 3.794 m² de um parque gráfico no Rio de Janeiro, resultando em 8.243 m³ de agregados em granulometrias diversas beneficiados em canteiro. Parte dos resíduos foi vendida e parte usada para aterro e nivelamento, conforme explica Renato Salgado, consultor de obras sustentáveis do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

O equipamento usado para beneficiar os resíduos ficou durante seis meses no canteiro, a um custo médio mensal (considerando aluguel, combustível, manutenção e dois funcionários para operação) de aproximadamente R$ 90 mil.

Receitas calculadas
Considerando produtividade de 40 m³/ hora e preço de R$ 35/m³ de agregado, sua comercialização, sem considerar os resíduos metálicos, gerou receita de aproximadamente R$ 280 mil - R$ 190 mil se descontado o aluguel do equipamento. Caso os resíduos tivessem ido a aterros, o custo estimado seria de cerca de R$ 500 mil.

Os resíduos evitaram a compra de material para aterro e nivelamento de 2.053 m² de área, o que teria custado, com uso de saibro, aproximadamente R$ 78 mil, de acordo com Salgado. Os resíduos foram beneficiados em britador móvel de médio porte e em equipamentos menores, acoplados às escavadeiras.

Fotos: Divulgação CTE e Engineering
Britador com bandeja magnetizada fazia a segregação de materiais com aço Aspersão de água na esteira diminuiu a geração de partículas em suspensão

Operação controlada
Por questões ambientais, e para evitar contaminação do material Classe A, resíduos perigosos, como combustíveis, tintas, lubrificantes industriais, solventes e baterias, foram inventariados, coletados e depositados em tambores vedados.

Fotos: Divulgação CTE e Engineering
O britador gerou 8.243 m³ de agregados em diferentes granulometrias
Fotos: Divulgação CTE e Engineering
Depois de desmontadas, as tubulações de tinta foram limpas e separadas antes de serem comercializadas como resíduo metálico A triagem das lâmpadas indicou quais se encontravam em condições de uso, que foram doadas. As queimadas foram acondicionadas em caixote com filtro de carvão ativado, aguardando destinatários licenciados ao recebimento

 

Fotos: Divulgação CTE e Engineering Combustíveis e produtos químicos classe D foram colocados sobre bandejas metálicas com arestas de contenção

 

Fotos: Divulgação CTE e Engineering
Durante a desmontagem dos dutos de refrigeração, foi feita a segregação da lã de vidro e do alumínio
Fotos: Divulgação CTE e Engineering
A água usada para lavar rodas era captada, encaminhada a caixas decantadoras, bombeada e retornava para nova lavagem. Semanalmente, os resíduos depositados no fundo das caixas eram retirados Para acondicionamento de resíduos foram utilizados recipientes como baias confeccionadas em divisórias de madeira, grades metálicas (reaproveitadas da própria demolição), caçambas estacionárias, contêineres, big bags, bombonas e coletores de plástico

 

Apoio técnico: Renato Salgado, consultor de obras sustentáveis do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE); Olívia Marques, coordenadora de obras sustentáveis do CTE; e Flávia Duarte, engenheira civil e gestora Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) da empresa Engineering, gerenciadora do empreendimento.

 

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