Conheça a rotina diária de um mestre de obras

Conheça a rotina diária de um mestre de obras

Agenor Avelino da Silva, de 65 anos, só tem uma rotina certa no dia: o horário de chegar ao trabalho. Às 7h00 em ponto, auxilia na entrada dos operários de uma obra residencial em São Bernardo do Campo, município de São Paulo. Quando termina de indicar aos trabalhadores os serviços do dia, já não tem mais programação.

“A obra não tem rotina”, garante Agenor, mestre de obras da construtora MBigucci há três anos. Para conquistar o cargo, ele trabalhou 32 anos na área, 20 deles na empresa atual. Já foi ajudante, carpinteiro e encarregado, o que lhe deu experiência para a função. Segundo ele, o maior desafio de um mestre de obras é conseguir tocar os serviços seguindo as metas semanais, e com muito jogo de cintura para lidar com os operários.

Na maioria das vezes, o mestre de obras trabalha em mais de um canteiro por dia. Houve uma época, por exemplo, em que Agenor já tomou conta de três obras ao mesmo tempo. E garante que a maioria dos mestres de obras trabalha sempre em mais de uma. Hoje, o funcionário da MBigucci toca dois canteiros ao mesmo tempo, ambos em São Bernardo do Campo. “Sempre estou naquele que mais está precisando de mim”, diz.

Além disso, participa de reuniões semanais com a construtora. Toda segunda- feira, das 8h00 às 10h00, está na sede do escritório da MBigucci para discutir o plano semanal de execução da obra. Tem interface direta também com o almoxarifado, já que é responsável por saber o que falta de material e fazer os pedidos, sempre com a ajuda dos oficiais, que indicam o que precisa ser comprado.

De dois em dois meses, aproximadamente, as obras passam por auditoria. Nesses dias, conta Agenor, o trabalho costuma ser mais agitado. Ele também tem contato direto com o auditor fiscal, que sempre lhe faz perguntas de como andam as frentes de serviço, quais estão atrasadas e por quê. Ao final de cada dia de auditoria, sempre há novos serviços e ajustes a serem feitos.

Agenor conta ainda que quando a obra está em fase de acabamento, é tudo muito mais complicado. “Por conta de detalhes que acabam passando desapercebidos na execução da estrutura e fechamento, os acabamentos costumam apresentar desalinhamentos. Ou as placas de drywall em algumas paredes ficam mal-encaixadas. Ou até mesmo a posição das iluminações externas, que foram desenhadas em projeto, precisa ser mudada em última hora”, exemplifica. As situações são diversas e quando o serviço não pode ser reexecutado, o mestre de obras e o engenheiro avaliam a melhor decisão a ser tomada.

O trabalho de Agenor começa às 7h00 e segue até às 17h00. Mas nem sempre sai nesse horário. Às vezes, Agenor chega a ficar na obra até mais tarde e, no dia seguinte, não se atrasa. Para ser um bom mestre de obras, Agenor garante que a forma de se relacionar com os trabalhadores, sempre trabalhando em parceria e com muito respeito, é o segredo. “Imposição também não pode faltar”, acredita.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Giro na obra
Ele já começa a delegar funções logo que chega e corre para resolver os problemas que ficaram de um dia para o outro. “Precisa ter boa memória”, lembra. Pela manhã, passa por quantas frentes de serviço conseguir, para verificar o andamento da obra. Qualquer oficial ou encarregado que tenha dúvidas já sabe que deve procurá-lo. O mestre, que tem contato direto com o engenheiro responsável pela obra, sabe de tudo o que deve ser feito e conhece todos os trabalhadores do canteiro.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Estoque
O mestre de obras também deve estar por dentro da programação de entrega de materiais na obra, além de verificar sempre a organização e o controle de todo o estoque.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Atenção aos detalhes
Segundo Agenor, a forma como os mestres de obra olham a execução dos serviços deve ser mais detalhada do que a dos engenheiros. “Tudo pode ser um risco. Os vidros dos banheiros, por exemplo, nunca podem estar abertos e expostos a queda de material que os quebre”, explica. Além disso, o mestre também deve estar sempre de olho nas questões de segurança, como o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs).

Fotos: Marcelo Scandaroli

Conversa com o engenheiro
Das 7h00 até o horário do almoço só dá tempo de parar rapidamente para um cafezinho no próprio canteiro. O horário de almoço costuma ser das 12h00 às 13h00. À tarde, segue conferindo as frentes de serviços, e quando tem um tempo, encontra-se com o engenheiro para avaliar projetos, falar sobre o andamento da obra e distribuir soluções para problemas.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Concretagem
Quando o material que chega é o concreto, a atenção deve ser redobrada, “para evitar que o caminhão fique mais tempo do que deveria na obra, o que pode comprometer o desempenho do insumo”, explica. Sempre que há alguma concretagem, ele está presente para acompanhar. Se o concreto é reprovado, Agenor e o engenheiro tomam alguma decisão. As verificações só terminam quando o caminhão vai embora.

Fotos: Marcelo Scandaroli

Tocando as fundações
Quando não está na obra residencial, em fase de acabamento, está em um empreendimento de uso misto, em fase de fundação. Lá, entre as funções que desempenha hoje, está a conferência das estacas, dos gabaritos e das cotas do solo grampeado que está sendo executado. Quando chega ao canteiro, conversa com os engenheiros e encarregados que acompanham o andamento da obra diariamente. Depois, corre para verificar os trabalhos em campo.

Reportagem: Maryana Giribola