Saiba como é o trabalho do profissional que produz maquetes de edifícios

Saiba como é o trabalho do profissional que produz maquetes de edifícios
acervo pessoal

Nome: David Scuola
Idade: 35 anos
Profissão: Maquetista
Onde nasceu: São Paulo
Onde mora: São Paulo
Onde trabalha: Adhemir Fogassa Maquetes

Qual é a função de uma maquete? 
Uma das funções da maquete é auxiliar principalmente o arquiteto e o paisagista no desenvolvimento dos projetos. As miniaturas facilitam a visualização dos desenhos. Hoje, só uma pequena parcela dos escritórios utilizam as maquetes no desenvolvimento do projeto. Para quem vai comprar um apartamento, as maquetes servem também de segurança legal, porque a maioria das pessoas não sabe ler projeto de arquitetura. Por isso, é importante desenvolver miniaturas que representam fielmente o que está no projeto.

Quando começou a trabalhar na área?
Eu tinha 15 anos quando entrei na empresa onde trabalho até hoje. Comecei como ajudante de maquetista auxiliando os profissionais mais experientes na confecção das peças das maquetes. Com o tempo, fui ganhando experiência. Estou na área há 19 anos.

O que é preciso fazer para ser um maquetista? 
Para entrar na carreira é preciso ter interesse na confecção de miniaturas. Os profissionais acabam aprendendo todas as etapas do processo de execução de uma maquete, ou seja, desde o corte até a montagem e acabamento, dentro das empresas.

As empresas contratam os profissionais mesmo sem experiência? 
Elas acabam contratando profissionais que tenham interesse pela confecção de maquetes. Com o tempo, o maquetista vai aprendendo o que precisa para exercer a profissão, como os materiais utilizados, colas e tintas compatíveis. Também é importante ter conhecimentos sobre hidráulica, elétrica e saber ler projetos de arquitetura e de paisagismo. Mas tudo isso eles aprendem no dia a dia de trabalho.

Quais são as atribuições de um maquetista? 
São, basicamente, montar a estrutura da maquete, os detalhes de paisagismo, como piscinas, jardins, iluminações e áreas de lazer, e os acabamentos, como a pintura, as fachadas e as colunas. Em alguns casos ele também pode operar impressoras em 3D e até executar desenhos em programas gráficos, caso se especialize em softwares do tipo.

Conseguir um emprego na área é difícil? 
Entrar na profissão é relativamente fácil. Difícil é se manter, porque as pessoas entram sem conhecer o que é trabalhar com maquetes. Mas não falta emprego para quem quer trabalhar na área. Com 16 anos já é possível entrar como aprendiz no mercado de trabalho.

A rotatividade de pessoas é grande nas empresas? 
Acontece de alguns profissionais perceberem que não é com isso que eles querem trabalhar, mas isso ocorre no início de carreira e a rotatividade dentro dos escritórios é mínima.

Os interessados podem aprender algumas noções por meio de outros cursos?
Quem se forma em uma faculdade de arquitetura, por exemplo, aprende o básico. Técnicos em edificações também levam vantagem porque têm conhecimentos na leitura de projetos. Mas tudo o que é ensinado na faculdade e nos cursos técnicos ensinamos aos iniciantes.

Como os profissionais reagiram à chegada das impressoras em 3D?
Quando compramos a máquina, três pessoas de dentro da empresa tiveram um curso de um dia para aprender a operá-la com o próprio fornecedor. Não é um curso difícil e a operação da máquina não é tão complicada. O que mais impactou foi que tivemos de contratar um profissional para fazer desenhos em 3D e colocá-los na impressora. Porque para isso é preciso dominar programas gráficos.

Isso pode ser visto como oportunidade para um maquetista virar um desenhista para impressoras em 3D?
Isso já acontece. Dos 15 desenhistas em 3D que temos hoje na empresa, quatro eram maquetistas.

E qual foi o impacto no mercado com a entrada dessas impressoras?
Além de ser uma oportunidade para a produção de maquetes com qualidade superior, a vinda de impressoras em 3D para o Brasil abriu mercado para muitos profissionais da área se especializarem em produção de desenhos em 3D para o banco de imagens das máquinas. Porque, para cada detalhe diferente, precisamos criar uma imagem e mandá-la para a impressora. E para isso precisamos de um profissional dentro da empresa que execute essa função.

O mercado deve aumentar sua demanda por esse tipo de máquina nos próximos anos?
Em dez anos, o custo médio das impressoras caiu de US$ 1 milhão para US$ 200 mil. Aposto que não só a demanda por essas máquinas deve crescer, mas também a qualidade dos modelos e o acesso a máquinas que produzam peças maiores.

Reportagem: Maryana Giribola