Cadista conta como é o trabalho de produzir plantas e desenhos técnicos para projetos

Cadista conta como é o trabalho de produzir plantas e desenhos técnicos para projetos

Nome: Marco Antonio Madeira
Idade: 47 anos
Profissão: Cadista
Onde nasceu: São Paulo
Onde mora: São Paulo
Onde trabalha: Caddesigner

Como começou sua carreira de cadista?
Aos 19 anos, fiz um curso na Escola Profissionalizante Pro-Tec de desenhos e projetos de arquitetura e em dois meses já fui contratado para trabalhar como copista em uma empresa de refrigeração. Pouco tempo depois passei a ser desenhista técnico e terminei como desenhista projetista chefe. Fiquei nessa empresa durante 13 anos. Quando saí, vi que o mercado não tinha espaço para desenhos em prancheta. Tudo estava sendo feito em softwares Computer Aided Design (CAD) ou, em tradução literal, Desenho Auxiliado por Computador. Como os cursos eram muito caros, estudei sozinho um livro de 850 páginas que comprei em um sebo. Ficava até às 3h00 estudando. Quando senti que estava em condições de oferecer serviços, decidi ser autônomo. Fiz meu site, comecei a divulgar meu trabalho, fiz cursos e participei de palestras para aumentar meus conhecimentos. Trabalho até hoje como autônomo.

O mercado de trabalho é difícil?
Como todo mercado, tem muita concorrência. Hoje em dia não basta saber usar CAD. Quando um cadista recebe um projeto, recebe apenas em esboços e rascunhos básicos. Então, é imprescindível saber ler e interpretar os desenhos com precisão. Alguns cursos ensinam isso, como os de desenho técnico.

Você aprendeu tudo sozinho ou chegou a fazer cursos na área para se aprimorar?
Além do de desenhos e projetos de arquitetura, fiz alguns cursos como o de CAD no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), com duração de três meses, para aprimorar os conhecimentos que já tinha.

Para quem quer ingressar na área e não tem nenhum conhecimento, seria interessante atrelar um curso de desenho técnico a um de CAD?
É o ideal. Quando eu fiz o curso, alguns alunos da minha sala estavam estudando com a intenção de mudar de profissão, mas não tinham ideia do que era uma planta baixa, um corte, uma elevação. Isso atrapalhava as aulas, porque o professor tinha de parar a parte de CAD para explicar termos técnicos. Então, antes de aprender CAD, é recomendável fazer um curso de desenho técnico.

Quais foram as dificuldades encontradas no início da sua carreira?
Sair do papel para executar desenhos no computador. Trabalhei 13 anos com prancheta, então foi complicado entender de escalas, tipos de linhas, cotas, tipos de folhas etc. No computador, como tudo é na base de comandos, fica mais difícil.

Já chegou a procurar emprego como cadista em escritórios?
Procurei bem no começo da carreira, quando já trabalhava como autônomo, mas não me interessei. As empresas exigiam muito e pagavam pouco.

Que tipo de exigências?
Muito conhecimento nos tipos de versões dos programas, que mudam todo ano. Além disso, exigem conhecimento técnico na área. Em escritórios de arquitetura, ninguém vai te ensinar a calcular um elemento construtivo. Então, além de ser um bom cadista, é preciso ter domínio da área de atuação da empresa.

Quais são as atribuições de um cadista?
Desde elaborar desenhos técnicos, plantas, cortes, fachadas, projeções, vistas, cotas, tolerância e perspectivas, detalhamentos de instalações hidrossanitárias e elétricas e desenhos cartográficos em softwares específicos até visitar obras e clientes. Também pode elaborar projetos para aprovação em prefeitura.

Os profissionais geralmente se especializam em uma área ou costumam desenvolver projetos para todas?
Em meu caso, quando trabalhei na área de refrigeração, tive de aprender um pouco de tudo. Para instalar um produto em um local, precisava entender da parte arquitetônica, de engenharia, hidráulica e elétrica, de marcenaria e até de acabamentos. Mesmo que o cadista seja especializado em uma área, ele é obrigado a entender de várias outras. Acabamos tendo contato com arquitetos, engenheiros, eletricistas, mestres de obras. Acabei aprendendo muita coisa por ter de trabalhar com vários setores ao mesmo tempo para desenvolver um projeto.

Qual a sua área de atuação?
Atuo mais com projetos de engenharia e arquitetura. Também já fiz projetos de mecânica e de refrigeração.

Quando surge uma nova versão de CAD, quem entende do programa consegue acompanhar? Ou sempre é preciso fazer algum curso?
Um curso pode ajudar, porque algumas versões têm mais alterações que outras, como na versão 2006 para a de 2007. Mas geralmente dá para aprender sozinho.

Como é sua rotina de trabalho como autônomo? E como funciona dentro dos escritórios?
Trabalho em casa por umas dez horas por dia, mas a rotina varia de acordo com o volume de trabalho. Também faço visitas a obras e a clientes. Dentro dos escritórios geralmente tem uma equipe e cada setor faz uma parte de um projeto. Às vezes, um projeto de um prédio demanda cerca de 50 desenhos. Então, cada cadista executa sua parte, mas se qualquer alteração for feita os outros setores precisam ser comunicados.

Quais são os principais desafios da profissão?
Como em muitas profissões, a concorrência. Hoje em dia não basta ter o domínio em CAD. Às vezes, os clientes me pedem para desenvolver o mesmo projeto em um software Building Information Modeling (BIM), que hoje já conta com uma tecnologia que faz com que um desenho em 3D já gere cortes, plantas, vistas, cálculos e orçamentos, descartando a necessidade de executar tudo em partes. Esses programas estão entrando com peso no mercado.

Que dicas daria para quem quer ingressar na profissão?
Estudar muito e ter muita paciência e boa vontade para encontrar uma vaga boa no mercado. A qualidade final do trabalho também conta muito. Pego muitos desenhos que, na hora de passá-los para os softwares, começam a apresentar incompatibilidades. Bons profissionais devem saber resolver esses impasses e entregar um bom projeto final.

Por Maryana Giribola