Argamassa projetada proporciona ganhos de produtividade e economia de mão de obra em canteiro no Ceará

Argamassa projetada proporciona ganhos de produtividade e economia de mão de obra em canteiro no Ceará

É comum ouvir que as construtoras têm buscado, cada vez mais, racionalizar suas obras, para alcançar um maior nível de produtividade. Em geral, o processo de racionalização envolve a adoção de tecnologia ou sistema que substitua ou aprimore o trabalho do operário. Ou seja, trata-se de um investimento – que, inicialmente, não é barato, mas o resultado final pode compensar bastante. Foi o caso da construtora Manhattan, de Fortaleza, que resolveu trocar o reboco chapado à mão pela argamassa projetada. A troca se deu quando ocorreu um problema de movimentação de pessoas e materiais no canteiro de obras do empreendimento Beverly Hills Residence, formado por oito blocos com quatro pavimentos-tipo cada um. O terreno apresentava três níveis de declive e, devido à localização das betoneiras, o transporte horizontal da argamassa até o local de aplicação tinha percursos de até 190 m com carrinho de mão, o equivalente a dois quarteirões. O problema foi contornado com a aquisição de dois equipamentos de projeção de argamassa. E não foi resolvida apenas a questão logística. A construtora obteve, ainda, ganhos de produtividade, economia de mão de obra, menor tempo de execução, redução das etapas construtivas e melhor qualidade do serviço. Confira a seguir.

Foto: divulgação Construtora ManhattanAposta na tecnologia
Até 2012, a construtora Manhattan, de Fortaleza, só trabalhava com argamassa chapada à mão para revestimento de fachadas. Mas um problema de logística no canteiro do Beverly Hills Residence, empreendimento com oito blocos de apartamentos, fez com que a empresa adotasse a argamassa projetada. A compra dos equipamentos para projeção ocorreu em uma feira realizada em São Paulo em 2012. Foram adquiridos dois misturadores e duas bombas – um trabalha acoplado ao outro.

Foto: divulgação Construtora Manhattan

Terreno difícil
O terreno do Beverly Hills Residence apresentava três níveis de declive e, caso a argamassa para reboco fosse feita no método tradicional, as betoneiras teriam que ficar na periferia do terreno. Não era possível centralizar as betoneiras entre os oito blocos do empreendimento, porque não havia como chegar até lá com os produtos a granel, como a areia, que fica em baias na lateral do terreno. Então, o transporte horizontal da argamassa, das betoneiras até o local de aplicação, poderia chegar até 190 m dentro do canteiro, com carrinhos de mão. E o tempo total, desde o abastecimento da betoneira até a chegada da argamassa no lugar da execução, seria de mais ou menos 16 minutos.

Foto: divulgação Construtora Manhattan

Ganho de tempo
Com o equipamento para projeção, o transporte passou a ser apenas vertical – feito pelas próprias mangueiras dos equipamentos – e o tempo caiu para sete minutos. Isso porque a máquina para projeção demanda basicamente a argamassa própria para esse fim – e, portanto, poderia ficar centralizada.

Detalhes
Além do problema logístico do terreno, o empreendimento contava com arquitetura complexa, com muitas faixas, pilares redondos, frisos e volumes, e com muita área de fachada (reentrâncias).

Foto: divulgação Construtora ManhattanEtapas de produção
A construtora Manhattan comparou também as etapas produtivas dos dois sistemas. No convencional, são oito: 1) abastecimento das baias; 2) carregamento das padiolas; 3) descarregamento para as jericas; 4) transporte para o guincho foguete; 5) carregamento do tambor do guincho; 6) subida do guincho; 7) descarregamento na masseira; e, por fim, 8) a aplicação.

Foto: divulgação Construtora ManhattanControle difícil
Por ser um processo artesanal e demorado, o diretor de obras da construtora, Kepler Rocha Pascoal, pontua alguns pontos negativos: variabilidade dos traços; uso de muita área no canteiro; desperdício de material; e muitos itens para controlar, como areia, cimento, aditivos.

Argamassa projetada
As etapas produtivas da argamassa projetada são mais simples e envolvem: armazenamento dos sacos no local de aplicação;

Foto: divulgação Construtora Manhattan

abastecimento do equipamento com argamassa e água; e a própria projeção. Segundo Pascoal, embora seja a primeira experiência da construtora com projeção, eles notaram maior uniformidade na aplicação, pouco desperdício e redução do tempo de execução.

 

Foto: divulgação Construtora ManhattanMaterial mais caro
Em relação ao custo dos dois sistemas, a construtora constatou aumento de 58% no custo do material. Segundo dados da empresa, a argamassa para reboco convencional custa, em média, R$ 6,50/m². Já a argamassa para projeção sai por cerca de R$ 10,00/m². A comparação dos custos dos equipamentos em si fica um pouco prejudicada, porque, segundo Pascoal, o equipamento de projeção pode equivaler a até quatro betoneiras. Não dá para comparar o custo de um apenas. “Eu consigo bombear argamassa para mais de um prédio ao mesmo tempo, tudo depende do meu plano de ataque”, conta Pascoal.

Foto: divulgação Construtora ManhattanMenos trabalhadores…
Na execução do serviço houve economia de 55% na quantidade de trabalhadores por bloco. No reboco convencional, eram nove trabalhadores: seis pedreiros e três ajudantes. Já no projetado, o número caiu para quatro: três pedreiros e um ajudante. “Essa economia reduziu o impacto gerado pelo custo inicial do material”, afirma Pascoal.

 

..ganhando mais
Foto: divulgação Construtora ManhattanMesmo a construtora aumentando a remuneração dos operários que trabalham com projeção de argamassa, o custo da construtora com salários caiu. Nove trabalhadores custavam, em média, R$ 15 mil por mês. Ao reduzir para quatro trabalhadores, a construtora deu aumento de 30% para cada um e, mesmo assim, ficou com custo mensal de aproximadamente R$ 9,1 mil. Veja as tabelas:

 

 

Comparativo de custos: revestimento convencional e projetado

 

Foto: divulgação Construtora Manhattan

Foto: divulgação Construtora ManhattanO caro pode sair barato
Segundo o diretor de obras da Manhattan, se a construtora se atentar somente ao investimento inicial, ela pode não adotar a tecnologia. Porque a argamassa para a projeção é bem mais cara do que a feita em obra. O equipamento também é mais caro que uma betoneira comum. “Mas a conta final mostra que obtivemos economia de mão de obra, ganho de produtividade e qualidade do revestimento. Em resumo, a economia [na etapa de revestimento da fachada] pode chegar a 30% no total”, diz Pascoal.

 

 

Mão na massaFoto: divulgação Construtora ManhattanEm geral, o processo executivo do revestimento projetado é simples: a projeção é lançada na parede, de cima para baixo. Um operário fica no mangote bombeando, outro já vem na sequência sarrafeando e, por fim, outro operário vem desempenando, dando o acabando final. Pascoal conta que o processo é sempre feito dos andares mais altos para os mais baixos. E costuma usar o mesmo andaime para pintar, logo em seguida. Atualmente, a construtora Manhattan também utiliza a tecnologia para projeção interna.

 

 

 

Produtividade comparadaFoto: divulgação Construtora ManhattanA produtividade diária de ambos os serviços também foi medida para fins de comparação. Segundo a construtora, a produtividade da projeção é mais que o dobro da produtividade manual: 17 m²/ dia/pedreiro contra apenas 8 m²/dia/pedreiro. Com isso, o tempo de execução do revestimento da fachada do empreendimento caiu praticamente pela metade.

 

Foto: divulgação Construtora ManhattanTreinar é importante 
Antes de adotar o sistema, a construtora realizou um treinamento com os funcionários – toda a mão de obra é própria. Foram sete dias de aula, dois de teoria e cinco de prática. Os instrutores fizeram repetidas demonstrações e, aos poucos, os operários foram entendendo o processo, até eles executarem, sozinhos, uma parede. Foram formadas equipes de projeção de argamassa. Ajudantes e serventes se tornaram profissionais de projeção, segundo Pascoal.

 

Melhoria contínua
“O treinamento é fundamental. Não dá para começar a fazer a projeção colocando apenas a bomba na obra. É preciso Foto: divulgação Construtora Manhattanapresentar as ferramentas, como as réguas H e trapezoidal, entender o funcionamento da bomba, da desempenadeira elétrica, entre outras coisas”, pontua o diretor de obras. Periodicamente, informa a construtora, serão feitas reciclagens a fim de identificar os pontos a serem melhorados e analisar os serviços já executados.

 

 

Foto: divulgação Construtora ManhattanFicha técnica
Nome do empreendimento: Beverly Hills Residence Localização: Avenida Estrela do Mar, Porto das Dunas, Aquiraz (CE)
Construtora: Manhattan
Arquitetura: Daniel & Isidro Arquitetos
Projeto de interiores: Ana Melo e Juliana Melo
Apresentação: Empreendimento residencial com oito blocos de apartamentos com quatro andares, subsolo e um elevador por bloco
Unidades: 120 apartamentos de 68 m² e 60 apartamentos de 136 m²
Estrutura: Convencional, com vedação em alvenaria de bloco cerâmico
Área do terreno: 16.498,44 m²
Término da obra: 2013

Reportagem: Romário Ferreira